PRIMEIROS
SOCORROS
PARA
CÃES E GATOS
GUTENBERG
A m y D . S h o j a i
Published by arrangement with RODALE INC., Emmaus, PA, U.S.A
PRIMEIROS
SOCORROS
PARA
CÃES E GATOS
Copyright by © 2009 Amy D. Shojai. All rights reserved.
Published by arrangement with RODALE INC., Emmaus, PA, U.S.A
Título Original
The first-aid companion for dogs & cats
Tradução
Elisa Nazarian
projeto de Capa
Diogo Droschi
projeto de Capa
Diogo Droschi
editoração eletrônica
Diogo Droschi
Laura Barreto
Revisão
Aiko Mine
Shojai, Amy D.
Primeiros socorros para cães e gatos / Amy D. Shojai ; [tradução Elisa
Nazarian]. – Belo Horizonte : Gutenberg Editora, 2010.
Título original: First-aid companion for dogs & cats.
ISBN 978-85-89239-74-5
1. Cães - Doenças 2. Cães - Saúde 3. Gatos - Doenças 4. Gatos - Saúde
5. Medicina veterinária 6. Medicina veterinária de urgência 7. Primeiros
socorros 8. Saúde animal I. Título.
Índices para catálogo sistemático:
1. Cães : Saúde : Primeiros socorros : Medicina veterinária 636.708832
2. Gatos : Saúde : Primeiros socorros : Medicina veterinária 636.808832
3. Saúde de cães : Primeiros socorros : Medicina veterinária 636.708832
10-01061 CDD-636.708832
-636.808832
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publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos,
seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora.
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Revisado conforme o Novo Acordo ortográfico.
Observação:
Este livro tem a intenção de servir apenas como
obra de referência, e não como manual médico. As
informações aqui fornecidas pretendem ser uma
ajuda na tomada de decisões quanto à saúde de seu
animal. Ele não foi escrito com a pretensão de vir a
substituir qualquer tratamento que possa ter sido
prescrito pelo seu veterinário. Se você suspeita que
seu animal esteja sofrendo de qualquer problema de
saúde, recomendamos que procure uma assistência
médica competente.
Para todos os nossos animais de estimação.
Que este livro possa ajudá-los a se
manterem saudáveis, a se recuperarem
rapidamente de doenças e acidentes e a salvar a
vida daqueles que estiverem em risco.
E especialmente para Seren, meu peludo
atrevido, este livro é para você – rezando para
que nunca precise dele!
Quadro de Consultores
C.A. Tony Buffington
Doutor em Medicina Veterinária, Ph.D.
professor de Clínica Veterinária no Ohio
State University College of Veterinary
Medicine, em Columbus.
Karen L. Campbell
Doutora em Medicina Veterinária,
professora de Dermatologia e
Endocrinologia Veterinárias no University of
Illinois College of Veterinary Medicine, em
Unrbana-Champaign.
Liz Palika
Proprietária do Dog Training with Liz,
escola de adestramento em Oceanside,
Califórnia, colunista da revista
autora de
Dog Fancy eAll Dogs Need Some Training.
Allen M. Schoen
Doutor em Medicina Veterinária, membro
agregado do departamento de Ciências
Clínicas da Colorado State University em
Fort Collins; diretor do Veterinary Institute
for Therapeutic Alternatives, em Sherman,
Connecticut; e autor de
Animal Healing
Love, Miracles, and.
John C. Wright
Ph.D., behaviorista formado no uso animal;
professor de Psicologia na Mercer University
em Macon, Georgia, e coautor de T
Who Would Be Kin
he Dogg e de Is Your Cat Crazy?
Revisão Técnica da Versão
para o Português:
Roberto Baracat de Araújo
Mestre em Medicina Veterinária,
doutor em Ciência Animal, professor
associado da Escola de Veterinária da
Universidade Federal de Minas Gerais
Marília Martins Melo
Mestre em Medicina Veterinária, doutora
em Ciência Animal, professora associada
da Escola de Veterinária da Universidade
Federal de Minas Gerais
Adriane Pimenta da Costa Val Bicalho
Mestre em Medicina Veterinária, doutora
em Ciência Animal, professora adjunta
da Escola de Veterinária da Universidade
Federal de Minas Gerais
Gilcinéa de Cássia Santana
Mestre em Ciências Biológicas: Fisiologia
e Farmacologia, doutora em Ciências
Biológicas: Fisiologia e Farmacologia,
professora adjunta da Escola de Veterinária
da Universidade Federal de Minas Gerais
AGRADE CIMENTOS
Este livro teria sido impossível sem a colaboração de muitas pessoas
– e animais – que me estenderam seu conhecimento, ajuda e inspiração ao
longo do percurso. De maneira especial quero destacar meus pais, Phil e
Mary Monteith, que sempre foram meus grandes incentivadores; meu marido,
Mahmoud, que apoia todos os meus sonhos; Seren, o melhor assistente
que um escritor poderia ter, e minha musa peluda, Fafnir, sempre no meu
coração. Minha família é uma bênção em minha vida, e nunca poderei
agradecê-los o bastante.
Meus colegas, ligados em animais de estimação, me inspiram continuamente
com seu profissionalismo, amizade e incansável apoio. Gostaria
de agradecer especialmente aos membros da Cat Writers Association and
Dog Writers Association of America – vocês fazem com que eu me orgulhe
de escrever sobre animais de estimação.
Meu sincero reconhecimento aos mais de oitenta veterinários que colaboraram
com seu conhecimento para este livro. Também quero agradecer
aos inúmeros professores veterinários e pesquisadores, espalhados por todo
o país, que me concederam graciosamente seu tempo e competência nas
respostas a minhas incessantes perguntas ao longo dos anos.
Agradeço penhoradamente a Mathew Hoffman, que compartilhou
minhas ideias; Ellen Phillips, que aprimora meu trabalho e especialmente
Meredith Bernstein, que se encarrega de tudo o que é realmente trabalhoso.
Finalmente, este livro não existiria sem todos os gatos e cachorros
que compartilham nossas vidas – e os desvelados donos que se esmeram
em manter saudáveis os membros peludos da família. Sem vocês, este livro
nunca teria sido escrito.
67. A bscessos
70. A cidentes de carro
75. A fogamento
79. A ftas
82. A lergia a pulgas
85. A lergias alimentares
88. A lergias de vias aéreas
90. A sfixia
93. A sfixia por corpo estranho
96. Baixa taxa de açúcar no sangue
(hipoglicemia)
99. Cabeça presa
102. Carrapatos
106. Celulite juvenil
109. Choque
112. Choque elétrico
114. Cistos no dedo
117. Colapso
120. Congelamento
122. Constipação
125. Contaminação no pelo
128. Convulsões
132. Cortes e feridas
137. Crises de asma
140. D anos na cabeça
11. Apresentação
67. Parte II
Mac huca dos com uns e co ndições
15. Parte I
Primeiros passos em Primeiros Socorros
15. A farmácia básica de seu animal
19. A valiando a situação
26. T écnicas básicas e como realizá-las
43. P revenindo problemas
49. Como descobrir sintomas em um
pronto atendimento
142. D anos na unha
144. D anos por secadora de roupas
147. D ermatite aguda
150. D esidratação
152. D iarreia
155. D ilatação ou torção no estômago
ou dilatação gástrica
158. E dema na cabeça
161. E dema na cauda
164. E dema na língua
167. E dema na mandíbula
170. E dema na pata
173. E dema na pele
177. E dema testicular ou escrotal
180. E nvenenamento por sapo
183. E scoriação
185. E spinhos de ouriço
188. E strangulamento
191. Farpas
194. Febre
196. Feridas por lambedura
198. Ferimentos abdominais
203. Ferimentos na boca
205. Ferimentos nas patas
208. Ferimentos no dorso
10
PRI MEIROS SO CORROS PARA CÃES E GATOS
426. Índice remissivo
212. Ferimentos no peito
215. Ferimentos por anzol
217. Ferimentos com estacas
220. Ferimentos por tiro
225. Ferroadas de abelhas e vespas
229. Filhotes debilitados
232. Fraturas
239. Hipotermia
245. I mpactação da glândula anal
249. I mpetigo
251. I nalação de fumaça
254. I nconsciência
260. I ncontinência
263. I nfecções no ouvido
268. I nfecções de pele
271. I nfecções na cauda
274. I nfecções no leito da unha
277. I nfecções nos olhos
279. I nsolação
285. I ntoxicação
294. I ntoxicação por monóxido
de carbono
296. L arvas
299. Machucados na orelha
302. Mandíbula travada
305. Manqueira
308. Mastite
311. Mordidas de animais
316. O bjeto estranho ingerido
321. O bjeto estranho na boca
324. O bjeto estranho na garganta
327. O bjeto estranho no nariz
329. O bjeto estranho no olho
332. O bjeto estranho no ouvido
335. O bstrução intestinal
338. O bstrução urinária
343. O lho fora da órbita
346. P arada cardiaca
350. P atela deslocada
352. P icadas de aranhas
356. P icadas de cobra
360. P icadas de escorpião
362. P icadas de moscas
365. P roblemas de parto
372. P roblemas de sutura
374. P roblemas nos dentes
377. P rolapso retal
379. P rolapso vaginal
382. Quedas
387. Queimadura de água-viva
389. Queimaduras nos coxins
392. Queimaduras por calor
396. Queimaduras por fricção
399. Queimaduras químicas
403. S angramento
408. S angramento nasal
410. T erçol
412. T orcicolo
415. U nhas encravadas
418. U rticária
421. V ermes
424. V ômito
11
Felizmente, muitas pessoas nunca terão
de lidar com um machucado grave ou com alguma
doença de seu animal de estimação. No
entanto, para aqueles que passarão por isso, a
falta de preparo ou de conhecimento podem
ser paralisantes, e o tempo perdido com medos
e indecisões pode se tornar crítico para a
recuperação do animal, às vezes significando,
literalmente, a diferença entre vida e morte.
Conheço isso muito bem. Como professora
especializada em medicina de emergência,
vejo centenas de casos passarem por nosso
pronto-socorro veterinário todos os anos. Em
muitos deles, a ação imediata por parte do dono
poderia ter poupado um animal querido de
uma longa e custosa permanência na clínica,
ou de dolorosos procedimentos de emergência.
É para isso que serve este livro.
O
Cães e Gatos
que orientará você a agir de forma rápida
e decisiva quando seu animal mais precisar.
Neste livro, você encontrará recursos
simples para machucados e doenças comuns,
mas também métodos aprimorados
para lidar com problemas que ponham a
vida em risco. Mais importante do que isso,
o
Gatos
menores de situações mais sérias, e a decidir
quando recorrer a um veterinário. Todas as
informações foram cuidadosamente pesquisadas
e contêm instruções detalhadas.
As diversas ilustrações servirão de apoio,
à medida que se forem seguindo as orientações
de procedimento para um primeiro
atendimento de seu animal.
Tive grande prazer em fazer parte deste
livro, e espero que ele não apenas ajude a manter
seu animal saudável e protegido, mas que
também faça com que você se sinta tranquilo
quanto ao fato de estar preparado para o que
quer que aconteça com ele.
Acredito que o
para Cães e Gatos
dedicados donos de animais de estimação.
Manual de Primeiros Socorros paraé um guia simples e abrangenteManual de Primeiros Socorros para Cães eajudará você a distinguir problemasManual de Primeiros Socorrosseja indispensável para
APRESENTAÇÃO
Shane Bateman
Doutora em Medicina Veterinária, Doutora
em Ciências Veterinárias – Graduada no
American College of Veterinary Emergency
and Critical Care e professora-assistente de
Medicina de Emergência e Cuidados Críticos
no departamento de Ciências Clínicas
Veterinárias do Ohio State University College
of Veterinary Medicine, Columbus.
Parte I
Primeiros passos
em Primeiros Socorros
15
É impossível prever que tipo de emergência
pode ocorrer com seu animal de estimação,
e quando seu gato ou cachorro se
machuca, um atendimento rápido torna-se
vital – você pode não ter tempo para ir atrás do
remédio ou dos materiais adequados. Por isso,
é melhor estar preparado para as ocorrências
mais comuns e ter à mão os itens necessários
a uma emergência.
Use a lista que enumeramos a seguir
como um guia para a montagem de um kit
de cuidados básicos.
KIT DE PRIMEIROS SOCORROS
Π
clínica veterinária e do centro de controle
de intoxicações.
∏ Cartão com os números de telefone de sua
Π
peso básicos de seu animal.
∏ Ficha com informação da temperatura e do
Π
suficiente para servir de mordaça.
∏ Focinheira pronta ou tecido em comprimento
Π
• Gaze esterilizada em vários tamanhos
e formatos
• Um ou dois rolos de gaze comum
• Bandagem elástica
• Filme plástico (para selar machucados)
• Esparadrapo
• Tesoura sem ponta para curativos (e
para cortar o pelo sobre feridas)
∏ Materiais de bandagem:
A FARMÁCIA BÁSICA
DE SEU ANIMAL
Π
animal em uma superfície firme)
∏ Fita adesiva resistente (que imobilize seu
Π
imobilização)
∏ Plástico-bolha (para confecção de talas de
Π
romba (para remover farpas e outros objetos
estranhos)
∏ Pinças sem ponta ou hemostática com ponta
Π
torno de feridas)
∏ Tosquiador elétrico (para tosar os pelos em
Π
estranhos)
∏ Alicate de bico fino (para remover objetos
Π
(para dar remédios líquidos)
∏ Seringa grande sem agulha ou conta-gotas
Π
∏ Termômetro clínico
Π
animal, mantê-lo quente ou servir de maca)
∏ Toalha limpa ou cobertor (para imobilizar seu
Π
uma toalhinha e bolsa de água quente
∏ Compressas prontas geladas e quentes, ou
Π
∏ Sabão líquido antisséptico (à base de clorexidina)
Π
(Povidine) para molhar ou enxaguar
machucados
∏ Solução antisséptica à base de iodopovidona
Π
∏ Bolas de algodão
Π
∏ Toalhinha limpa
Π
do petróleo (Gel K-Y ®)
∏ Lubrificantes à base de óleo mineral ou derivados
Π
enxaguar feridas)
∏ Soro fisiológico para lentes de contato (para
Π
∏ Karo ou mel (para choque)
Π
Neomicina e Bacitracina para feridas.
∏ Pomada antibiótica à base de sulfato de
16
PRI MEIROS SO CORROS PARA CÃES E GATOS
Π
(carprofeno, meloxicam, etc.) (para dor
–
a dose correta, caso seu cão tenha
qualquer outro problema de saúde)
∏ Analgésico e anti-inflamatório não esteroidalapenas para cães! Verifique com seu veterinário
E QUANTO AOS REMÉDIOS HU MANOS?
Π
o nome comercial e a dose correta)
∏ Anti-histamínico (verifique com o seu veterinário
Π
leves
são criaturas muito menores. Seus organismos
funcionam de forma diferente da dos nossos,
e eles não metabolizam drogas da mesma maneira.
A dose para animais é geralmente baseada
em seu peso corporal, portanto, você precisa
saber quanto eles pesam antes de medicá-los.
Pese seu animal na próxima vez que for ao
veterinário, guarde o resultado e mantenha-o
junto a seus remédios.
Os medicamentos feitos para pessoas,
geralmente, contêm uma dose excessiva da
droga para animais, o que torna fundamental
o uso de sua calculadora para avaliar o
quanto daquela pílula de 325 mg é adequado
a seu animal.
Por exemplo, difeni dimenidrinato é
dado para gatos e cachorros em uma dose
de uma miligrama para cada meio quilo de
peso. Isso significa que um cachorro que pese
25 quilos precisa 50 miligramas do remédio.
Se o Benadril vier como uma pílula de 100
miligramas, você terá que dar meia pílula
para seu animal de 25 quilos.
A tabela que damos a seguir inclui vários
medicamentos comuns para humanos,
que não precisam de receita, e sua dosagem
equivalente para animais. O capítulo que trata
do problema específico de seu animal poderá
trazer informações mais detalhadas sobre a
dose a ser dada. Se você continuar inseguro
quanto ao que e a quanto dar, verifique com
seu veterinário.
Os medicamentos veterinários, criados
para cães e gatos, atuam com muita rapidez.
Geralmente eles têm sabores que ajudam a
ser engolidos com mais facilidade e suas fórmulas
vêm em várias concentrações, para
que possam satisfazer tanto as necessidades
de gatinhos filhotes quanto de enormes São
Bernardos. No entanto, raramente as pessoas
têm esses medicamentos à mão.
Alguns remédios humanos são perigosos
quando dados a animais. Muito paracetamol,
por exemplo, pode matar um gato. Contudo,
como muitos medicamentos humanos contêm
os mesmos ingredientes ativos das versões
para animais, muitas vezes você pode aliviar os
sintomas do seu gato ou do seu cachorro com
um pronto atendimento, usando escolhas adequadas
de seu próprio armário de remédios.
É sempre melhor se você conseguir conversar
antes com seu veterinário.
A maioria dos medicamentos vendidos
sem receita médica vem em cápsulas, comprimidos
ou líquidos, e são rotulados de acordo
com a concentração de dosagem. Os líquidos,
geralmente, são dosados em mililitros (ml) ou
colheres de chá e de sopa, e frequentemente
trazem um copo-medida ou um contagotas.
Os comprimidos são caracteristicamente designados
por concentração em miligramas
(mg) ou microgramas (mcg).
Quase nunca cães e gatos devem receber
a mesma dosagem que uma pessoa – afinal,
∏ Pó hemostático (Kwik-Stop®) para sangramentos
A Farmácia básica de se u animal
17
MEDI CAMENTOS HUMANOS QUE SERVE M PARA ANI MAIS
Alguns medicamentos humanos também podem ser usados em cães e gatos, embora
as dosagens sejam geralmente mais baixas, uma vez que os animais são menores. Eis
aqui os medicamentos mais prescritos pelos veterinários. É sempre recomendável entrar
em contato com o seu veterinário, antes de dar a seu animal qualquer medicamento
humano, para se certificar de que ele não causará dano e que será adequado àquele caso
específico. Caso seu animal esteja tomando qualquer outro medicamento, não se esqueça
de lembrar esse fato a seu veterinário, para que não haja risco de interações.
Medicame nto Uso e dosage ns
Ácido acetil
salicílico
Analgésico
(comprimidos de
liberação entérica)
Cães
dia (CONSULTE O MÉDI CO VETERIN ÁRIO
ANTES DE UTILI ZAR – PODE CAUSAR
INTO XICAÇÃO .)
: 10-25 mg por kg, 2 a 3 vezes por
Gatos:
NÃO USE .
Bisacodil
ventre
Para prisão de
Cães:
ou 1/2 a 2 supositórios pediátricos (10 mg), 1
vez por dia
1 comprimido de 5-20 mg, 1 vez por dia
Gatos:
1/2 supositório pediátrico, 1 vez por dia
1 ccomprimido de 5 mg, 1 vez por dia ou
Difenil
dimenidrinato
Loção tópica
calmante para dor e
coceiras
Cães:
Aplique nas áreas afetadas.
Gatos:
Aplique nas áreas afetadas.
Dimenidrinato
carros e náuseas
Para enjoo em
Cães:
4-8 mg por kg, 3 vezes por dia
Gatos:
12,5 mg, 1 vez por dia
Hamamélis
antisséptico tópico
Adstringente/
Cães:
Aplique na região afetada.
Gatos:
aplique na região afetada.
Hidróxido de
magnésio, Hidróxido
de alumínio e
dimeticona
Para problemas
digestivos, gases
Cães:
a 23 kg, 4 colheres de sopa; acima de 23 kg,
6 colheres de sopa
abaixo de 7 kg, 3 colheres de sopa; de 7
Gatos:
NÃO USE .
Hidróxido de
magnésio
Para prisão de
ventre
Cães:
6 horas
2-4 colheres de sopa a cada 2 kg, a cada
Gatos:
1/2-1 colher de sopa, 1 vez por dia
Kaolim/pectina
Para diarreia
Cães:
um máximo de 2 colheres de sopa, a cada
8 horas
1/2 a 1 colher de chá para cada 2 kg, até
Gatos:
a cada 4-8 horas, apenas por um dia
1/2 a 1 colher de chá para cada 2 kg,
Mentol, cânfora e
óleo de eucalipto
Vias aéreas
congestionadas
Cães:
queixo do seu cão para facilitar a respiração.
Coloque uma pequena quantidade no
Gatos:
queixo do seu gato para facilitar a respiração.
Coloque uma pequena quantidade no
18
PRI MEIROS SO CORROS PARA CÃES E GATOS
Medicame nto Uso e dosage ns
Paracetamol
Analgésico
Cães:
Consulte seu veterinário.
Gatos:
Não utilize, consulte seu veterinário.
Pedyalite® ou
Gatorade®
Para desidratação
Cães:
quanto o animal quiser.
Misture 50/50 com água, ofereça o
Gatos:
quanto o animal quiser.
Misture 50/50 com água, ofereça o
Plantago ovata
ventre
Para prisão de
Cães:
na comida
1 colher de sopa de 5-12 kg, misturada
Gatos:
colher de sopa (gato grande), misturada na
comida
1/2 colher de sopa (gato pequeno) a 1
Povidine
Antisséptico tópico
Cães:
Aplique na ferida.
Gatos:
Aplique na ferida.
Salicilato
de bismuto
monobásico
Diarreia, náusea,
indigestão, vômito
Cães:
um máximo de 30 ml ou 2 colheres de sopa
até 3 vezes por dia, ou 1 comprimido para
cada 7 kg, até 3 vezes por dia
1-2 ml por kg ou 1/2-1 a cada 2 kg, até
Gatos:
NÃO USE .
Sulfato de
magnésio
Acalma coceira e
pele irritada
Cães:
região afetada.
1 pacote em 8 litros de água; molhe a
Gatos:
a região afetada.
1/2 pacote em 8 litros de água; molhe
Sulfato de
neomicina e
Bacitracina
Para prevenir
infecções em
ferimentos
Cães:
necessário.
Aplique 3-4 vezes ao dia, conforme for
Gatos:
necessário.
Aplique 3-4 vezes ao dia, conforme for
DIVISÃO DAS DOSES
Os medicamentos humanos vêm, geralmente,
em doses muito maiores do que um
animal necessita. Os líquidos costumam ser
o meio mais fácil para reduzir a dose a uma
quantidade necessária para um animal. Os
comprimidos costumam ser mais enganosos
quando um cachorro ou um gato necessita de
meio comprimido ou menos.
É possível comprar cortadores comerciais
de comprimidos. Se você não tiver um
cortador de comprimidos disponível, pode dividi-
los com um cortador de unhas de animais.
Segure o comprimido na abertura onde ficaria
a unha e corte-o no tamanho necessário.
Outra opção é esmagar o comprimido
até reduzi-lo a pó, e então dividi-lo na dose
apropriada. Um pilão, que normalmente se
tem nas cozinhas, é perfeito para isto. Se você
não tiver um, coloque o comprimido entre
dois pedaços de papel de alumínio e use um
martelo de carne ou até mesmo a concha de
uma colher para esmagá-lo Você pode misturar
esse pó em algum petisco para que ele seja
mais fácil de ser engolido.
19
AVALIAND O A SITUAÇÃO
Os donos de cães e gatos vivem com seus
animais 365 dias por ano e são os que melhor
podem reconhecer – melhor ainda do que um
veterinário – o que é normal e o que não é.
Afinal de contas, se você tiver sorte, um veterinário
só verá seu cão ou seu gato uma ou duas
vezes por ano. Portanto, em algum momento,
enquanto seu animal estiver saudável e feliz,
crie uma tabela básica de saúde para primeiros
socorros, enumerando os sinais vitais para
cada gato ou cachorro que tiver em casa. Essa
tabela deverá incluir:
Π
∏ Temperatura
Π
∏ Cor da pele e das mucosas
Π
∏ Tempo de preenchimento capilar
Π
∏ Teste de desidratação
Π
∏ Batimento cardíaco
Π
∏ Pulsação
Π
∏ Frequência respiratória
Π
Uma vez que cada animal é um indivíduo,
diversas variáveis podem ser normais,
mas, uma vez que você tenha determinado
quais são as especificidades do seu animal,
qualquer coisa fora desses limites “normais”
servirá de alerta para um problema que precisa
ser verificado. Isso também o ajudará a
avaliar a seriedade do problema, que medidas
precisam ser tomadas como primeiros socorros,
e se essas medidas serão suficientes, ou
se é melhor deixar o tratamento a cargo de
um veterinário. Para mais informações, leia
como avaliar cada um desses sinais vitais.
∏ Prontidão
TEMPERATURA
A temperatura normal para cães e gatos
varia de 37º a 39º. Um animal que brincou ou
se exercitou seguidamente tem uma temperatura
ligeiramente mais elevada, mas, após um
descanso, ela deverá voltar a níveis normais.
E, embora uma febre possa não ser perigosa
em si, ela pode ser indício de problemas
É muito mais fácil medir a temperatura
do seu animal, se alguém segurar sua cabeça
e distraí-lo. Lubrifique a ponta de um termômetro
clínico. Levante a base da cauda do seu
animal e, vagarosamente, insira o termômetro
no reto até que a metade dele esteja dentro
da região anal, virando-o suavemente para a
esquerda ou direita. Mantenha-o dentro por
três minutos, depois o retire nessa posição e
leia a temperatura.
20
PRI MEIROS SO CORROS PARA CÃES E GATOS
encobertos que precisarão de ajuda. Veja
como medir a temperatura de seu animal:
Π
termômetro for de mercúrio, balance-o até que
o mercúrio baixe para a temperatura de 35º.
∏Use um termômetro clínico via retal. Se o
Π
mercúrio ou a ponta de um termômetro digital
com óleo mineral, Gel K-Y®, ou qualquer gel
à base de petróleo.
∏ Lubrifique a ponta do termômetro clínico de
Π
a para acessar o ânus. Insira o termômetro
até a metade. Mantenha a cauda presa com
firmeza, para evitar que seu animal escape ou
que ele se sente no termômetro.
∏Segure a base da cauda do seu animal e levante-
Π
limpe-o com um papel e leia a coluna de mercúrio.
(Para um termômetro digital, siga as
instruções do fabricante. Não se esqueça de
∏Após três minutos, remova o termômetro,
MEDINDO a temperatura do seu animal
Depois de tirada a temperatura do seu animal, é importante que você saiba quando
ela pode ser considerada normal e quando ela representa uma situação de emergência.
Verifique a tabela abaixo para determinar quando seu animal está bem e quando ele precisa
de uma atenção médica imediata.
Temperat ura Sig nifica do Chamar o veteri nário ?
41º ou mais
(pág. X)
Sim, imediatamente
Emergência. Resfrie seu animal
40,5º
Febre alta Sim, no mesmo dia
40º
Febre moderada Sim
39,5º
Febre moderada Sim
39º
Escala normal Não
38,5º
Escala normal Não
38º
Escala normal Não
37,5º
Escala normal Não
de 37º a 35º
Semi-Hipotermia (pág. 239) Sim, no mesmo dia
abaixo de 35º
(pág. X)
Sim, imediatamente
Emergência (Aqueça seu animal
limpar o termômetro com álcool, para evitar
a propagação de doenças.)
COR DA PELE E DAS MUCOSAS
Pode ser difícil observar a cor da pele de
um animal por causa da quantidade de pelos.
Os veterinários usam a cor das mucosas, como
o “branco” dos olhos e as gengivas acima dos
dentes para atestar a saúde de um animal. No
que diz respeito às gengivas, qualquer coisa
diferente de um rosa normal pede a atenção
imediata de um veterinário ou o uso de primeiros
socorros. Se as gengivas do seu animal são
pigmentadas (pretas ou marrons) tente achar
um pedaço não pigmentado nas gengivas ou
nos lábios para verificar seu estado. Se você não
conseguir encontrar um ponto não pigmentado,
ou outra mucosa, tente a vulva ou o prepúcio
(a dobra de pele que cobre o final do pênis).
AVALIAND O A SITUAÇÃO
21
TEMPO DE
PREENCHIMENTO CAPILAR
Os capilares são pequenos vasos sanguíneos
que ficam próximos à superfície da
pele. Eles são mais fáceis de serem vistos nas
gengivas de seu animal, acima dos dentes.
Os capilares são o que dá a esse tecido sua
cor rosa normal. Você pode avaliar o estado
da circulação sanguínea de seu animal através
de um teste de preenchimento capilar.
Veja como fazê-lo:
Teste da cor da mucosa
Use essa rápida observação visual para determinar se seu animal necessita
de cuidados médicos.
Cor da mucosa Sig nifica do Chamar o veteri nário ?
Rosa
Normal Não
De pálida a branca
Anemia ou Choque (pág. 109) Sim, imediatamente
Azul
Asfixia (pág. 90)
Sim, imediatamente
Inalação e Fumaça (pág. 251) ou
Vermelho-cereja
brilhante
Intoxicação por monóxido de
carbono (pág. 294) ou Insolação
(pág. 279)
Sim, imediatamente
Amarela
Problemas hepáticos (pág. 117) Sim, no mesmo dia
Π
pressione seu dedo contra o tecido rosa não
pigmentado da gengiva. Isso comprime temporariamente
o sangue naquele ponto fora dos
capilares, e bloqueia o fluxo normal.
∏Levante o lábio superior do seu animal e
Π
uma marca branca na forma do dedo, na gengiva.
Use o ponteiro dos segundos em seu relógio
para cronometrar o tempo que leva para
que a cor rosa retorne para o ponto branco
– esse é o tempo de preenchimento capilar.
∏Rapidamente desfaça a pressão, e você verá
Teste de preench imento capilar
Para verificar a condição circulatória de seu animal, consulte a seguinte tabela:
Tempo de
pree nchime nto capilar Sig nifica do Chamar o veteri nário ?
1-2 segundos
Normal Não
2-4 segundos
Moderado a fraco; possível
Desidratação (pág. 150) ou Choque
(pág. 109)
Sim
Mais de 4 segundos
desidratação, choque
Sim, imediatamente
Emergência! Problema grave;
Menos de 1 segundo
Insolação (pág. 279), choque
Sim, imediatamente
Emergência! Problema grave;
22
PRI MEIROS SO CORROS PARA CÃES E GATOS
TESTE DE DESIDRATAÇÃO
Você pode avaliar o grau de desidratação,
ou de perda de líquido, de seu animal
com um simples teste. O primeiro sinal de
problema é a perda de elasticidade da pele.
Normalmente, cães e gatos hidratados apresentam
uma pele extra solta no alto de suas
cabeças e na base de seus pescoços – o pelo
do pescoço – que é fácil de pegar. Quando o
equilíbrio líquido do organismo está normal,
é possível puxar delicadamente o pelo do
pescoço, e, ao soltá-lo, a pele voltará imediatamente
a uma posição normal. A pele
no alto da cabeça é mais propensa a mostrar
esse efeito, então comece tentando por lá.
Quanto mais grave a desidratação,
no entanto, mais lento será o movimento
de retração da pele. Em uma desidratação
moderada, a pele voltará à posição normal
vagarosamente. Nos casos graves, quando
a pele continua distendida, numa saliência
longe do corpo, mesmo depois de solta, é
preciso um socorro imediato com a atenção
de um veterinário.
BATIMENTO CARDÍACO
Para para verificar a frequência cardíaca
de seu animal, faça com que ele fique sentado
ou deitado em uma posição relaxada, e coloque
a palma de sua mão sobre seu lado esquerdo,
exatamente atrás do ponto do cotovelo. Sinta
a batida do coração e conte número de batimentos
cardíacos durante 15 segundos. Multiplique
esse número por quatro, para obter
o número de batimentos por minuto. Para
garantir a precisão da contagem, repita-a duas
ou três vezes e faça uma média para chegar à
média normal do seu animal.
Em caso de doença ou machucado, uma
taxa mais lenta do que a normal – bradicardia
– pode indicar problema cardíaco ou choque.
Um coração acelerado também pode indicar
choque. Ambos os casos requerem imediato
cuidado médico. Obviamente, um coração parado
é a emergência mais terrível e exige uma
ressuscitação cardiopulmonar imediata.
Aqui está como fazer o teste da elasticidade
da pele para descobrir se seu animal está
desidratado. Pegue um pouco da pele no alto da
cabeça de seu animal, e depois solte. Quanto
mais ela demorar para voltar ao normal, mais
grave é a desidratação.
O RIT MO CARD ÍACO
NOR MAL DE SEU ANI MAL
A tabela abaixo mostra a média
de batimentos por minuto, baseada
no peso de seu animal:
Batime nto car díaco
Animal normal (por mi nuto )
Cães pequenos
(até 10 kg)
70 – 180
Cães médios e
grandes
(mais de 10 kg)
60 – 140
Gatos 120 – 240
Filhotes de cachorros
(até 6 semanas)
Até 220
Filhotes de gatos
(até 6 semanas)
200 - 300
AVALIAND O A SITUAÇÃO
23
O melhor local para sentir a pulsação é
a artéria femoral, localizada na virilha, onde a
pata traseira se junta com o corpo. Pressionando
suavemente, use os dedos indicador, médio
e anular para sentir a pulsação. Ela é bem forte
nesse ponto. Se você não conseguir senti-la,
e não puder ouvir o coração batendo no peito,
provavelmente trata-se de uma parada cardíaca
e você precisará começar uma ressuscitação
cardiopulmonar.
Verifique também a pulsação de seu
animal, para se familiarizar com a sensação
de uma pulsação normal. Ela tem de ser
forte, e deve ser percebida no mesmo tempo
de cada batimento cardíaco. Uma pulsação
irregular sugere problemas cardíacos, enquanto
uma pulsação “aos pulos” ou muito
fraca pode indicar choque, fraco rendimento
cardíaco, ou uma queda na pressão sanguínea.
Todos esses estados requerem imediata
atenção médica.
Os animais de estimação não têm uma
pulsação muito forte em seus “pulsos” dianteiros
ou no pescoço. O melhor lugar para
descobrir a pulsação de seu animal é a artéria
femoral, na dobra da pata traseira, na virilha.
Deite seu animal de lado e pressione seus
dedos no local, até localizar a pulsação. Saiba
que poderá ser muito mais difícil de encontrar,
se seu animal estiver abatido, desidratado ou
com baixa pressão sanguínea.
RESPIRAÇÃO
Muitos cachorros respiram de dez a trinta
vezes por minuto; para gatos, a frequência é
de dez a quarenta vezes por minuto.
Cachorros peludos ou que estão fazendo
exercícios respiram mais rápido e podem ofegar
até duzentas vezes por minuto. Nos gatos,
uma respiração arquejante e de boca aberta
são consideradas sinais de perigo, porque os
gatos não ofegam normalmente como uma
forma de se resfriar, como os cães.
Se seu gato estiver ofegante ou respirando
com a boca aberta, chame o veterinário
imediatamente.
Nível de Consci ência
Cães e gatos saudáveis são alertas e reativos
ao que estiver acontecendo a seu redor.
Quando estão machucados ou doentes, seu
comportamento é afetado de diversas maneiras.
Quanto mais sério for o problema, menos
reação haverá.
TRIAGEM
Além de saber como avaliar os diversos
sinais vitais de seu animal, e como eles influenciam
em sua saúde, você também precisa
dimensionar a gravidade de qualquer problema.
Isso é particularmente importante quando
existem vários danos.
Este processo é chamado de triagem –
priorizar danos e situações do corpo segundo
sua gravidade. A triagem faz com que você use os
primeiros socorros antes de tudo, nos riscos mais
graves, para salvar a vida do seu animal. Somente
depois disso você cuidará dos outros problemas.
Antes de qualquer coisa, certifique-se de
que o lugar onde está é seguro, tanto para você
quanto para seu animal. Não fará bem para
24
PRI MEIROS SO CORROS PARA CÃES E GATOS
nenhum dos dois se você realizar os primeiros
socorros no meio de um prédio em chamas ou
de uma estrada movimentada. Depois que estiverem
em um lugar seguro, verifique os sinais
vitais de seu animal, para determinar o próximo
passo. Ele está respondendo à sua voz? Respirando
direito? A cor de sua gengiva ou o tempo
de seu preenchimento capilar indicam choque?
Como regra geral, os danos internos ou
do organismo como um todo, como choque ou
intoxicação, têm precedência sobre danos externos,
como cortes ou pata quebrada. Embora,
logicamente, seja sério e doloroso um globo
ocular fora da órbita, ou uma queimadura, eles
não são, necessariamente, uma ameaça de vida
e podem ser cuidados depois que danos mais
graves tiverem sido tratados. Por exemplo,
pouco importa uma boca queimada porque
seu animal mastigou um fio elétrico, se ele
tiver parado de respirar por causa do choque.
BANCAND O O MÉDICO
Os primeiros socorros são apenas isto: um
primeiro tratamento de emergência que tira seu
cão ou seu gato de uma situação de risco, por
um tempo suficiente até que se consiga ajuda
médica. Quando se trata do cuidado de cães e
gatos, o melhor livro do mundo sobre primeiros
socorros não substituirá o conhecimento de um
veterinário que examina seu animal cuidadosamente.
Portanto, não tente economizar dinheiro
ou preocupação, medicando seu animal em
casa. Ele merece mais de você.
MONITORANDO A RESPIRAÇÃO
Quando seu animal estiver descansando relaxadamente, qualquer tipo de respiração
que não seja calma e sem esforço pede atenção médica e, possivelmente, respiração artificial
(veja pág. 30). Veja a tabela abaixo para os sinais de alarme:
Sinais respirat órios Sig nifica do Chamar o veteri nário ?
Respiração relaxada, de calma a
sem som
Normal Não
Aumento da frequência
respiratória
Primeiro sinal de
problemas
Sim, imediatamente,
se o estado piorar. Se a
frequência respiratória
aumentou, mas o
problema não estiver
piorando, chame o
veterinário no mesmo dia
Respiração penosa ou muito
ofegante; cães ficam de pé com
os cotovelos para fora; gatos se
sentam agachados com a cabeça
e o pescoço estendidos
Emergência! Progressão
para rápida falência
respiratória
Sim, imediatamente
Respiração trabalhosa, com a
boca aberta e gengivas azuis
Emergência! Falência
pulmonar. O animal está
se asfixiando.
Sim, imediatamente
Respiração lenta, rasa, ou
ausente, inconsciência iminente
Emergência! Colapso
respiratório; prepare-se
para respiração artificial.
Sim, imediatamente
AVALIAND O A SITUAÇÃO
25
Nível de co nsci ência Sig nifica do Chamar o veteri nário ?
Alerta e reativo ao dono e ao
estímulo externo; se você o
chama para uma brincadeira,
ele deve corresponder
Normal Não
Abatido; baixa resposta a
estímulos visuais ou táteis;
pode estar sonolento ou
relutante em se mexer
Comum a muitas
doenças
Sim, no dia seguinte,
se o estado não
melhorar com um
primeiro tratamento
Desorientado; tromba com
objetos, olhar cego, andar
incerto ou em círculos, pende
para um lado
Provável envolvimento
neurológico ou do
ouvido interno
Sim, no mesmo dia
Letargia; só desperta com
estímulo muito doloroso (i.e.
aperto nos dedos)
Problema neurológico
ou metabólico; sério Sim, imediatamente
Comatoso (incapaz de
acordar) ou tendo convulsões
Emergência! Grave
dano neurológico ou
falência por ferimento,
doença ou toxina
Sim, imediatamente
AVALIANDO REAÇ ÕES
Os animais normais e saudáveis são normalmente alertas, curiosos e reativos.
Veja a tabela abaixo para determinar se o comportamento de seu animal é motivo
para preocupação.
AS DE Z MAIORES PRIORIDADES EM UMA TRIAGE M
Em ordem de urgência, trate estas situações antes de qualquer outra em uma
situação de emergência. Depois, cuide dos outros problemas de seu animal.
1.
(pág. 31)
Parou de respirar, sem pulsação
2.
(pág. 30)
Parou de respirar, com pulsação
3.
Perda de consciência (pág. 254)
4.
acelerada; pulsação rápida ou fraca;
pele fria (pág. 109)
Choque; gengivas pálidas; respiração
5.
Dificuldade de respirar (pág. 90)
6.
aberto (pág. 212)
Perfuração do peito ou ferimento
7.
Hemorragia (pág. 403)
8.
aberta (pág. 198)
Perfuração abdominal ou ferida
9.
muito quente (pág. 194) ou muito fria
(pág. 239)
Extremos da temperatura corporal:
10.
(pág. 225); toxinas (pág. 285); picada
de cobra (pág. 356), etc.
Intoxicação: picadas e ferroadas
26
TÉCNICAS BÁSICAS
E COMO REALIZÁ-LAS
Mordaças
Até mesmo o cão ou gato mais gentil e
amoroso morderá como reflexo quando estiver
machucado. Mordaças comerciais estão disponíveis
em pet shops e catálogos, para todos os
tamanhos e formas de focinhos de cães e gatos.
Mas, se você não tiver uma mordaça comercial
à mão, você poderá fazer uma.
Gatos e cachorros de focinhos curtos,
como os Pugs, são um desafio porque não há
focinho suficiente para ser amarrado. Para
esses animais, uma das melhores mordaças
é uma fronha. Coloque-a na cabeça de seu
animal e prenda-a delicadamente em torno
de seu pescoço. O tecido mantém os dentes
juntos e, geralmente, os animais param de se
debater quando já não conseguem ver o que
acontece. Você pode puxar a fronha para baixo
o tanto quanto for necessário, para conter
suas patas dianteiras e suas unhas – deixe
de fora apenas a parte machucada do corpo,
para um fácil acesso de forma que você possa
tratá-la. Alguns tratamentos, como uma
imersão em água fria, podem ser feitos diretamente
através da fronha.
Os cães com focinhos longos são muito
mais fáceis de amordaçar. Você pode usar
qualquer pedaço comprido de tecido, de uma
gravata ou uma tira de gaze a uma perna de
meia-calça, ou mesmo uma guia extra. Enrole
o material em volta do focinho de seu animal
e amarre-o com um nó simples (meio nó), no
Quando pensamos em primeiros socorros
para animais domésticos, limitamo-nos,
geralmente, a emergências, como um atropelamento
ou um choque, quando um filhote
mastiga um fio elétrico, por exemplo. Felizmente,
a maioria dos donos de animais nunca
terá que lidar com problemas tão dramáticos.
Contudo, todos os donos de animais
domésticos se deparam com problemas cotidianos,
como infecções no ouvido, cortes nas
patas ou problemas digestivos. Frequentemente,
você descobrirá que as técnicas de primeiros socorros
são úteis. Essas técnicas básicas servem
para centenas de situações envolvendo cães e
gatos, seja uma pata quebrada, um machucado
sagrando, ou apenas chiados ou farpas.
E o que é mais importante, em situações
realmente dramáticas, elas podem salvar a
vida de seu animal.
CONTENÇÕ ES DE SEGURANÇ A
Uma contenção tem três propósitos
principais. Em primeiro lugar, ela o protege
de ser mordido ou arranhado por seu animal
ferido, enquanto você administra os primeiros
socorros. Em segundo lugar, restringindo
os movimentos de seu animal, você impede
que ele torne o machucado pior. Finalmente,
a contenção o mantém em um mesmo lugar,
permitindo que o ferimento possa ser examinado
e tratado. Eis alguns exemplos:
TÉCNICAS BÁSICAS E COMO REALIZÁ-LAS
27
topo do focinho. Depois, puxe as duas pontas
para baixo, sob sua mandíbula, e faça um outro
nó simples. Finalmente, puxe as pontas para
trás da base do pescoço e amarre-as em um
laço ou nó. A mordaça manterá as mandíbulas
fechadas, de forma que ele não consiga morder.
Téc nicas de co nte nção
A eficiência de cada forma de contenção
varia conforme o tipo de ferimento. Escolha
uma que deixe a área afetada livre para o tratamento.
Na maioria dos casos, uma pessoa segura
o animal, enquanto outra realiza o pronto
atendimento. Em todos os casos, é melhor
colocar os animais pequenos em uma bancada
ou mesa, para que fiquem na altura da cintura.
Animais de porte médio e animais grandes são
mais fáceis de serem tratados no chão, com a
pessoa ajoelhada a seu lado.
Contenção reclinada
animal deitado de lado, com a área ferida
voltada para cima. Com uma mão, segure o
tornozelo da pata dianteira que está contra
o chão, enquanto pressiona, suavemente,
seu antebraço sobre os ombros do animal.
Com a outra mão, segure o tornozelo da pata
traseira que está contra o chão, enquanto
pressiona seu antebraço sobre seus quadris.
Essa técnica funciona particularmente bem
com cachorros de médio a grande porte, e
também é recomendada para cães com olhos
proeminentes, como o Pequinês. (Segurar
esse tipo de cachorro em torno do pescoço
provoca uma pressão que pode fazer saltar
seus globos oculares.)
: Coloque seu
Contenção esticada
ou um cão pequeno, pegue-o com uma mão
pela pele solta da nuca. Junte as duas patas
traseiras com a outra mão. Estique seu animal
suavemente e segure-o contra a mesa.
: Se você tiver gato
Para fazer uma mordaça, dê uma laçada
em uma gravata ou em um pedaço de meiacalça,
e passe-a sobre o focinho do seu animal.
(Se possível, peça a ajuda de alguém.)
Aperte o nó e depois puxe as pontas para
baixo, sob a mandíbula e faça outro nó.
Puxe as pontas para trás, sobre seu pescoço
e amarre-as em um nó ou laço, atrás de
suas orelhas.
28
PRI MEIROS SO CORROS PARA CÃES E GATOS
Contenção do abraço
braço sob e em torno do pescoço de seu cão
numa espécie de chave de braço para trazê-lo
junto a seu peito. Passe o outro braço sob o
seu peito, envolvendo-o, e puxe-o mais para
junto de você. Essa técnica funciona melhor
para cães acima dos 10 kg, e é de grande utilidade
na imobilização do abdome, patas, peito
e parte traseira. (Uma melhor alternativa para
as mulheres talvez seja passar o braço por cima
e em torno do peito do cachorro, como é mostrado
na página 351.
: Coloque um)
Contenção ajoelhada
redor do pescoço dos cães com olhos proeminentes,
como o Pequinês, pode fazer saltar
seu globo ocular. Portanto, com essas raças,
ao invés de restringi-los agarrando-os pelo
pescoço, ou pelo pelo do pescoço, ponha seu
cão no chão entre seus joelhos, com a visão
voltada para o lado oposto a você. Em seguida,
ponha uma mão no alto de sua cabeça e a
outra em torno ou abaixo de suas mandíbulas,
para firmar sua cabeça enquanto outra
pessoa cuida da parte afetada. Esta forma de
contenção também funciona bem para dar
comprimidos a gatos.
: A pressão ao
Para imobilizar um cão com olhos proeminentes,
como o Pequinês ou o Pug, segure-o
entre seus joelhos, com o olhar dirigido para o
lado oposto a você. Mantenha sua cabeça imóvel
pondo uma mão no alto de sua cabeça e a outra
sob seu maxilar inferior.
Para examinar ou tratar um animal
pequeno, coloque-o deitado de lado em uma
mesa. Com uma mão segure a pele do pescoço,
e, com a outra, as patas traseira; depois
estique-o. Você pode usar uma luva grossa na
mão que segura as patas.
Para conter seu cão para ser tratado,
coloque um braço sob e em torno de seu pescoço,
puxando-o contra seu peito, enquanto o
outro braço passa sob o seu peito, envolvendo-
o para imobilizá-lo.
RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL
E RESSUSCITAÇÃO
CARDIOPULMONAR
O sistema cardiopulmonar do seu animal
funciona como um trem de carga muito
eficiente, que circula pelo corpo e nunca
para. Os pulmões descarregam a carga –
oxigênio – na corrente sanguínea, enquanto
TÉCNICAS BÁSICAS E COMO REALIZÁ-LAS
29
o coração funciona como a locomotiva que
move o sangue. Quando o sangue completa
um circuito por todo o corpo e retorna aos
pulmões, o oxigênio foi descarregado onde
era necessário, de forma que o trem possa
pegar um novo suprimento de oxigênio e
repetir o processo. Qualquer artefato que
interrompa a respiração de seu animal ou
a batida de seu coração fará com que esse
processo seja interrompido. Ele perderá a
consciência, e a falha no recebimento de
oxigênio, mesmo que por alguns minutos,
causará danos cerebrais irreversíveis.
COMO FAZER UM COLAR ELISA BETANO
As coleiras cônicas de contenção, chamadas pelos ingleses e americanos de colar elisabetano
ou coleira E, por envolverem a cabeça do animal como uma grande gola franzida
de um nobre elisabetano, podem ser encontradas em vários tamanhos para se adequar a
qualquer animal. Elas impedem que cães e gatos toquem seus machucados com os dentes,
protegendo também as feridas faciais de serem coçadas ou esfregadas com as patas. Você vai
encontrá-las nas pet shops, em catálogos ou nos veterinários. Numa emergência, você pode
até mesmo fazer uma. Veja como:
Meça o pescoço do seu animal e a
distância de sua coleira até a ponta do seu
focinho. Marque essas medidas em um pedaço
rígido de papelão ou de plástico. Faça
um corte em forma de V da borda externa
até o círculo interno.
Respiração artificial
Geralmente, os animais primeiro sofrem
parada respiratória; seu coração pode
continuar batendo por mais um pouco de
tempo, mesmo depois de cessada a respiração.
Você deve começar uma respiração artificial
em minutos, para salvar a vida do seu
animal. Inicie a respiração de salvamento
imediatamente, mas esteja preparado para
continuá-la no carro, a caminho do hospital.
Peça para alguém ir guiando, enquanto
você cuida do seu animal – não é raro que
um cão ou um gato seja salvo depois de seu
Use uma agulha de tricô ou um furador
para abrir buracos ao longo das duas extremidades
da coleira.
Passe um cordão de sapato ou barbante
pelos buracos para segurar a coleira em torno
do pescoço do seu cão.
30
PRI MEIROS SO CORROS PARA CÃES E GATOS
dono ter respirado para ele durante meia
hora ou mais.
Um animal que esteja muito frio pode
respirar muito mais devagar do que o normal,
portanto, certifique-se de que ele realmente
parou de respirar. Observe a subida e descida
de seu peito, ou sinta sua respiração na palma
de sua mão. Se ele não estiver respirando, suas
gengivas se tornarão azuis pela falta de oxigênio.
Antes de dar início à respiração artificial,
verifique se a passagem de ar está limpa. Abra a
boca de seu cão e veja se encontra algum objeto
estranho. Se a passagem de ar estiver bloqueada,
segure sua língua e puxe-a para fora para
deslocar o objeto, ou coloque seus dedos ou um
pequeno alicate, ou uma pinça, para agarrá-lo. Se
não conseguir pegá-lo, use a manobra Heimlich
(veja pág.
comece a respiração de salvamento.
32). Depois que a passagem estiver desobstruída,
Π
aconchegar um animal pequeno no seu colo)
e estique seu pescoço levantando seu queixo
de tal maneira que sua garganta se torne uma
passagem direta para seus pulmões.
∏Deite um cachorro grande de lado (você pode
Π
você não pode cobrir os lábios do seu animal
com sua boca e uma grande quantidade de ar
acabará escapando. Ao invés disto, feche a boca
do seu animal com uma mão ou com as duas,
para mantê-la cerrada.
∏A respiração boca a boca não é eficaz porque
Π
(com um animal pequeno, sua boca cobrirá
tanto o nariz dele quanto a boca) e dê duas
rápidas sopradas, observando se seus pulmões
se expandem. Quando a boca está fechada corretamente,
o ar passará diretamente pelo nariz
para os pulmões.
∏Ponha sua boca totalmente sobre seu nariz
Π
mover suas laterais. Você terá que soprar com
muita força se for um cachorro muito grande,
mas sopre delicadamente no caso de gatos e
cães pequenos, ou poderá romper seus pulmões.
Entre as respirações, deixe que o ar saia
naturalmente dos pulmões, antes de dar a próxima
soprada. Dê quinze ou vinte sopradas por
minuto até que ele comece a respirar por si só,
ou até que você chegue ao veterinário.
∏Sopre apenas com a força suficiente para
Ress uscita ção
car diop ulmo nar
A ressuscitação cardiopulmonar combina
a respiração artificial com a compressão
externa do coração, o que ajuda a movimentar
o sangue pelo corpo, quando o coração para
de bater. Siga as instruções para a respiração
de salvamento e alterne com as compressões
no peito. É preferível ter duas pessoas realizando
a ressuscitação cardiopulmonar, uma
respirando pelo animal, enquanto a outra faz
as compressões no peito.
Para saber se o coração de seu animal
parou, coloque a palma de sua mão aberta
Para fazer uma respiração artificial em
seu animal, mantenha sua boca fechada colocando
sua mão em torno de seu focinho, cubra
seu nariz com sua boca e sopre delicadamente
para dentro do nariz até que você veja seu peito
se movimentar.
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